quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Cristiano Felício vai disputar a liga americana universitária de basquete




Saindo de Pouso Alegre, passando por Belo Horizonte e voando para os Estados Unidos. Essa é a trajetória do jovem Cristiano Silva Felício, pivô de 2,06 metros e 20 anos de idade, que saiu do Minas Tênis Clube e arrumou suas malas. O destino? A Universidade de Oregon, nos Estados Unidos, com a qual Cristiano acabou de assinar vínculo para disputar a próxima temporada da NCAA, a liga americana universitário de basquetebol.

O pousoalegrense vai representar o Oregon Ducks, clube da primeira divisão da NCAA, na temporada 2013-2014. Cristiano Felício é considerado uma das grandes revelações da última temporada do Novo Basquete Brasil e viajou aos Estados Unidos em busca de um sonho. O jovem atleta conta abaixo uma pouco mais sobre sua trajetória no basquete, suas passagens anteriores por outros clubes, e o sonho de estar em território americano:

Como foi seu primeiro contato com o basquete?
Meu primeiro contato foi ainda na escola, quando eu tinha 12 anos de idade e já era alto naquela época. O professor de Educação Física me chamou para praticar o esporte, eu acabei gostando e não parei mais. Tornar-me um jogador não era meu principal objetivo no começo, mesmo porque eu não levava o basquete tão a serio. Mas quando eu fui para Jacareí, com 15 anos, ali eu percebi que poderia me tornar um jogador. Desde lá eu mantive e mantenho até hoje este objetivo.

Como surgiu a oportunidade de jogar no Minas Tênis Clube?
A caminhada até minha chegada no Minas não foi fácil. Antes, fui para o estado de São Paulo fazer dois testes. O primeiro foi na cidade de Pindamonhangaba, em 2006. Fui muito bem, mas me disseram que não poderiam ficar comigo, pois não tinham alojamento para os atletas. Como eu não tinha condições para bancar uma moradia, pensei que a estrada para mim tinha acabado ali. Só que lá (em Pindamonhangaba) me indicaram Jacareí, dizendo que talvez lá eles teriam alojamento. Dois dias depois, eu estava lá para outro teste. Dei o meu máximo, assim como todo atleta faz em dias de testes quando o nervo chega à flor da pele. Não se sabe se irá ficar ou não. Scarpel, o técnico na época, veio conversar e disse que ficaria comigo e que queria conversar com minha mãe também. Depois disso tudo, eu comecei a jogar lá e ganhei um certo destaque. Fui chamado para o “jogo das estrelas” que teve entre os jogadores da minha categoria no ginásio do Palmeiras naquele mesmo ano. O campeonato foi acabando e no outro ano estaria ali para mais uma temporada. Dias antes de eu ir para Jacareí novamente, recebi uma das notícias mais incríveis de toda a minha vida: minha primeira convocação para a seleção brasileira de basquete. Estava super feliz com a noticia e então parti para Jacareí e, depois disso, para a seleção. Lá, inclusive, encontrei com quem foi o meu treinador no Minas também, o Raul Togni. Fui para a seleção feliz da vida, treinei da melhor forma que eu pude. Depois de retornar ao paulista, estava em casa no meio do ano e recebi uma ligação do Flávio Davis para fazer um teste no Minas em 2009. Acabei ficando.

Qual avaliação faz da sua passagem pelo Minas?
Foi incrível. O tanto que aprendi com cada técnico que tive foi uma experiência inexplicável. Desde o meu primeiro técnico, Flávio Davis, passando pelo Nestor Garcia e chegando ao Raul Togni, que sempre foi o meu técnico na categoria de base, o Minas foi essencial para tudo o que conquistei na minha vida como jogador de basquete até agora. Além de também ter o Cristiano Grama neste meu último ano que foi um dos meus melhores no clube, sempre conversando comigo, dizendo o que podia melhorar. Todos eles foram assim e sou muito agradecido por ter jogado no Minas esses três anos.

E a ida pros Estados Unidos? Foi algo planejado há certo tempo?
Bem, posso te dizer que sempre foi um sonho e sempre busquei correr atrás dele todos os dias. Mas só comecei a pensar realmente nisso depois que acabou o meu vínculo com o Minas. Pensei muito e decidi que essa era a hora certa de estar vindo pra cá. Acabei agarrando a chance e aqui estou hoje muito feliz da vida.

Acertou vínculo com a Oregon agora. Como funcionam os contratos com as universidades?
Acertei o meu vinculo com a ótima Universidade de Oregon neste mês de novembro. Olha, eu não sei te explicar muito bem, pois são muitos detalhes, mas o mais importante aqui é isto que está à frente nos contratos com Universidades. Eles vêm te visitar e se gostarem de você mandam uma carta de intenção para se vincular à universidade. Logo após você assinar esse vínculo, nenhuma outra instituição pode vir visitar você.

O que você acha necessário desenvolver no seu jogo para chegar forte e encarar uma NBA?
Eu acho que meu jogo de posts seria muito bom evoluir ainda mais para chegar muito bem lá. Mas sempre penso que tenho que evoluir em todos os aspectos para ser um grande jogador e buscar tudo o que sonho.

Falando agora de seleção brasileira. Vê como possível a sua participação em 2016?
Temos muitos jogadores bons para 2016, mas eu vejo como possível a minha participação na Olimpíada e estarei trabalhando dia após dia para chegar à este objetivo. Representar meu país em casa será maravilhoso.

Tem ídolos no basquetebol?
Meu maior ídolo de todos no basquete sempre foi Kevin Garnett, pela raça que deixa a cada jogo, técnica que tem por ser um cara grande. Eu gosto muito de vê-lo jogar, ainda mais por jogar no meu Boston Celtics!

Jogar no Celtics é o próximo passo então?
Se isso chegar a acontecer, seria fantástico, jogar ao lado do meu ídolo e no time que sempre torci. Seria incrível. Nem cheguei a pensar nisso, mas se acontecer, eu ficarei muito feliz.

Então, quais são as metas que você quer atingir daqui em diante no basquete?
Bem, minha primeira meta é ir muito bem aqui na Universidade no meu primeiro ano e no próximo para poder chegar à NBA daqui a dois ou três anos. Espero sempre seguir com a seleção brasileira e 2016 é uma outra meta que estarei trabalhando para alcançar.

Por João Vitor Cirilo
Boleiros da Arquibancada

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